A Federação PP-União Brasil será julgada pelo TSE na quinta-feira (26/03) — daqui a 2 dias. PP e UB passarão a atuar como partido único, com vinculação vertical obrigatória. A janela partidária fecha em 03/04 (quinta-feira da próxima semana). Moro filiou-se ao PL hoje pela manhã (24/03). Greca foi para o MDB (19/03). Curi negocia ida ao Republicanos — ou fica no PSD para disputar o Senado.
Ratinho Jr. declarou que não será candidato à Presidência. Comunicou a Kassab ontem (23/03). Vai cumprir mandato até dezembro e focar 100% na sucessão estadual. Isso muda fundamentalmente o cálculo de transferência de votos (ver seção Cube abaixo).
O PP tem 10 dias (até quinta 03/04) para tomar a decisão mais consequente da última década.
A curva de crescimento
| Indicador | 2018 | 2022/2024 | Crescimento |
|---|---|---|---|
| Deputados Federais | 2 | 5 (eleitos 2022) | +150% |
| Deputados Estaduais | 3 | 7 (eleitos 2022) | +133% |
| Prefeitos | 21 (2020) | 61 (2024) | +190% |
| Vereadores | ~300 (2020) | 546 (2024) | +83% |
A correção que muda o cálculo: debandada de prefeitos
Após a criação da Federação com o União Brasil, pelo menos 18 dos 61 prefeitos eleitos em 2024 deixaram o PP, segundo certidões do TSE confirmadas por múltiplas fontes (Folha de Curitiba, Bem Paraná, Jovem Pan, Brasil 247 — reportagens de outubro/2025). Destino: 7 migraram para o PSD (partido de Ratinho Jr.) e 11 permanecem sem partido definido. Motivo principal: rejeição à associação com Moro, que estava no UB.
Dos 18, 12 foram identificados por município (Bem Paraná, ago/2025): Céu Azul, Corbélia, Entre Rios do Oeste, Jundiaí do Sul, Mandirituba, Marechal Cândido Rondon, Nova Londrina, Ortigueira, Rio Negro, Santa Amélia, Teixeira Soares e Terra Roxa.
| Indicador | Eleitos 2022/2024 | Posição REAL (mar/2026) | Variação |
|---|---|---|---|
| Prefeitos PP | 61 | ~43 (18 saíram entre out-dez/2025) | -29,5% |
| Vereadores PP | 546 | ~400-450 (estimativa proporcional) | -18 a -27% |
| Deputados Federais | 5 | 5 | = |
| Deputados Estaduais | 7 | 7 | = |
Com a debandada, o PP caiu para 3º em prefeitos no estado (atrás do PSD com 164 e do PL com 52), mas continua entre os maiores em filiados. Com a Federação (PP+UB), terá a maior bancada combinada do estado — ~7 deputados federais e ~13-14 estaduais.
O PP negocia a partir de uma curva de crescimento que precisa ser protegida — mas com números reais, não inflados.
Julgamento TSE — quinta-feira 26/03/2026 (homologação como premissa)
| Regra | Implicação |
|---|---|
| Vinculação vertical obrigatória | PP e UB atuam como partido único em cada estado |
| Prazo mínimo: 4 anos | Não pode ser desfeita sem penalidades até 2030 |
| Penalidade por ruptura | Proibido coligar por 2 eleições + perda do Fundo Partidário |
| Coligação: é da Federação | PP não pode, sozinho, coligar com PSD — quem coliga é a Federação |
| Fundo eleitoral combinado | ~R$954 mi nacional — maior força financeira do Congresso (~20% do total de R$4,9 bi) |
O que a Federação ENTREGA
Com Moro tendo saído do UB e se filiado ao PL hoje (24/03), o impasse direto desaparece. A Federação reunirá:
| Ativo | PP | UB (pós-janela) | Federação total |
|---|---|---|---|
| Prefeitos | ~43* | 29 (eleitos 2024, dado AMP) | ~72* |
| Vereadores | ~400-450* | ~250-300 | ~650-750 |
| Deputados Federais | 5 | ~2 | ~7 |
| Deputados Estaduais | 7 | ~6-7 | ~13-14 |
*Números do PP baseados em dado de out/2025 (18 saídas). UB confirmado: 29 prefeitos (AMP/Gazeta do Povo). Número real do PP em mar/2026 pode ser menor.
O paradoxo estratégico
A Federação que causou a debandada de 18 prefeitos é, ao mesmo tempo, o ativo mais poderoso do PP — porque:
- 1. Prende o União Brasil ao lado governista (impede que UB vá para Moro)
- 2. Devolve ao PP a força combinada de ~72 prefeitos e ~650-750 vereadores
- 3. Gera um swing de 7-10 pontos percentuais na eleição (soma de ganho governista + perda de Moro)
Premissas validadas
| Premissa | Status |
|---|---|
| Alexandre Curi fica no PSD e concorre ao Senado | Em negociação — cenário mais provável se Ratinho garantir palanque |
| Ricardo Barros concorre a deputado federal | Confirmado — reeleição |
| Guto Silva é o candidato ao governo pelo PSD | Confirmado por Ratinho |
| Ratinho Jr. declarou que não concorrerá à Presidência | ⚡ Confirmado (22/03) — fica no PR até dez/2026, 100% dedicado à sucessão. Transferência sobe para +20-25pp (Cube) |
O efeito Curi no Senado sobre o governo
Com Curi saindo da disputa ao governo, seus 15,2% se redistribuem (projeção estimada — sem pesquisa de migração específica):
Redistribuição dos votos de Curi (15,2%)
| Destino | % dos votos de Curi | Pontos ganhos |
|---|---|---|
| Para chapa Guto+Greca (PSD+MDB) | ~60-75% | +9-11,5 pts |
| — Guto absorve | ~40-50% | +6-7,5 pts |
| — Greca vice absorve | ~20-25% | +3-4 pts |
| Para Moro | ~10-15% | +1,5-2 pts |
| Dispersão | ~15-25% | — |
Com Greca como vice de Guto, a chapa unificada absorve ~60-75% dos votos de Curi — a quase totalidade do campo governista. Isso descongestiona o campo e fortalece massivamente a coalizão PSD+MDB. Note: se a chapa Guto+Greca se confirmar, Greca não aparece como candidato separado nas pesquisas — seus votos já estão dentro da chapa.
Quanto cada ator transfere (dados validados com double-check)
| Ator | Transferência | Base |
|---|---|---|
| Ratinho Junior (100% dedicado — declarou que não disputará a Presidência, 22/03) | +20-25 pp | Dado real: +18,3pp (Paraná Pesquisas jul/2025) + dedicação exclusiva (+2-4pp) + capital preservado (+0-3pp). Benchmarks: Rui Costa/BA transferiu +43pp para Jerônimo — estava no 2º mandato, não podia concorrer à reeleição e dedicou-se 100% à sucessão com 80% de aprovação. Azambuja/MS transferiu +47pp no 2ºT para Riedel — também no 2º mandato, sem possibilidade de reeleição, canalizou toda a máquina estadual para o sucessor com 74% de aprovação |
| PP sozinho (~43 prefeitos, ~450 vereadores) | +3-4 pp | Cálculo: ~200-255 mil votos efetivos / 6,7 mi votantes |
| Federação PP+UB (~72 prefeitos, ~650-750 vereadores) | +5-7 pp | Cálculo: ~350-435 mil votos efetivos / 6,7 mi votantes |
| Efeito de retirar UB do campo Moro | -2-3 pp de Moro | Premissa: sem Federação, parte dos votos UB iria para Moro* |
| Swing total da Federação | 7-10 pp | Ganho governista + perda Moro. Cube calibra para 6-9pp |
Resultado Swing Total: soma +5-7pp (ganho governista) + 2-3pp (perda Moro) = 7-10pp de swing total (diferença líquida entre os dois campos).
*Premissa conservadora. O efeito real depende de para onde iriam os votos UB se livres — parte poderia dispersar em vez de ir para Moro.
A conta com números reais
Nota metodológica: Os efeitos abaixo são somados como contribuições separadas, mas há sobreposição parcial entre eles (parte dos votos da Federação já está contida no "efeito Ratinho"). Os cenários otimistas devem ser lidos com essa ressalva — o realista é a faixa mais confiável.
Cenário 1: Guto Gov + Greca Vice + Ratinho (100% dedicado) — SEM Federação União Progressista
| Componente | Efeito | Acumulado |
|---|---|---|
| Guto (base ajustada com migração Curi) | — | ~16-21% |
| + Efeito Ratinho 100% dedicado | +20-25 pp | 36-46% |
| + Greca vice + estrutura MDB (~30 prefeitos) | +4-6 pp | 40-52% |
| + Convergência outros partidos | +3-5 pp | 43-57% |
| - SEM Federação PP+UB | +0 pp (não soma +5-7pp) | — |
| - Federação livre para apoiar Moro (Improvável) | +2-3 pp PARA MORO | — |
| Projeção | Resultado | Status |
|---|---|---|
| Cenário Otimista | ~51-57% | ⚠️ Disputa 1ºT |
| Cenário Realista | ~43-48% | ⚠️ Disputa 2ºT |
| Cenário Pessimista | ~38-43% | ❌ 2ºT Desfavorável |
| vs. Moro — SEM Federação (bruta) | ~48-55% | Moro GANHA 2-3pp com UB livre |
| vs. Moro — SEM Federação (Método Cube) | ~27,5-36,5% | Regressão à média, mas piso mais alto |
Síntese metodológica — Como se chega ao resultado do Cenário 1:
O Cenário 1 projeta o melhor cenário possível para o campo governista sem a Federação União Progressista — Guto gov + Greca vice + Ratinho 100% dedicado. A metodologia é a soma de contribuições individuais de cada ator, com dois efeitos ausentes:
(1) Efeito direto removido: +5-7pp que desaparecem. A Federação mobilizaria ~72 prefeitos (PP ~43 + UB 29) e ~650-750 vereadores para o candidato governista. Sem ela, a coalizão fica limitada ao PSD (164 prefeitos) + MDB (30 prefeitos) = ~194 prefeitos. Os ~72 da Federação — com seus ~350-435 mil votos efetivos de capilaridade municipal — ficam fora da equação.
(2) Efeito indireto: Moro ganha +2-3pp. Sem a Federação prendendo o União Brasil ao campo governista, o UB fica livre para apoiar Moro. A estrutura do UB no Paraná (29 prefeitos, ~250-300 vereadores) migra para o campo Moro.
Resultado: Mesmo com a chapa mais forte possível (Guto + Greca + Ratinho 100%), a ausência da Federação transforma uma eleição favorável em uma disputa incerta. O cenário realista fica em 43-48% — insuficiente para vencer no 1ºT. Moro sobe para ~48-55% na pesquisa bruta e se torna favorito no 1º turno.
E o que muda com a Federação União Progressista? Os cenários abaixo mostram o efeito dos ~72 prefeitos e ~650-750 vereadores que a Federação agrega — e que transformam disputa incerta em favoritismo.
Cenário 2: Guto + Ratinho (100% dedicado) + Federação União Progressista (recomendado)
| Componente | Efeito | Acumulado |
|---|---|---|
| Guto (base ajustada com migração Curi) | — | ~16-21% |
| + Efeito Ratinho 100% dedicado | +20-25 pp | 36-46% |
| + Federação PP+UB (~72 prefeitos) | +5-7 pp | 41-53% |
| + Convergência outros partidos | +3-5 pp | 44-58% |
| Projeção | Resultado | Status |
|---|---|---|
| Cenário Otimista | ~53-58% | ✅ Vence 1ºT |
| Cenário Realista | ~44-50% | ✅ Competitivo / 2ºT Favorito |
| Cenário Pessimista | ~39-44% | ⚠️ Disputa 2ºT |
| vs. Moro — Pesquisa bruta | ~46-52% | Moro perde 2-3pp sem UB |
| vs. Moro — Método Cube | ~25,5-33,5% | Regressão à média -8 a -12pp |
Metodologia: Ao Cenário 1 (sem Federação), soma-se o efeito direto da Federação (+5-7pp de ~72 prefeitos e ~650-750 vereadores mobilizados) e subtrai-se o reforço que Moro teria com UB livre (-2-3pp). Swing total: +7-10pp a favor do campo governista. O cenário realista sobe de 43-48% (Cenário 1) para 44-50% — de disputa de 2ºT para 2ºT favorito.
Cenário 3: Guto Gov + Greca Vice (MDB) + Federação União Progressista
| Componente | Efeito | Acumulado |
|---|---|---|
| Guto (base ajustada com migração Curi) | — | ~16-21% |
| + Efeito Ratinho 100% dedicado | +20-25 pp | 36-46% |
| + Greca vice + estrutura MDB (~30 prefeitos) | +4-6 pp | 40-52% |
| + Federação PP+UB (~72 prefeitos) | +5-7 pp | 45-59% |
| + Convergência outros partidos | +3-5 pp | 48-64% |
| Projeção | Resultado | Status |
|---|---|---|
| Cenário Otimista | ~58-64% | ✅ Vence 1ºT com folga |
| Cenário Realista | ~48-54% | ✅ Vence 1ºT / 2ºT Favorito |
| Cenário Pessimista | ~43-48% | ✅ 2ºT Favorito |
| vs. Moro — Pesquisa bruta | ~46-52% | Moro perde 2-3pp sem UB |
| vs. Moro — Método Cube | ~25,5-33,5% | Regressão à média -8 a -12pp |
Metodologia: Ao Cenário 2, soma-se o efeito Greca vice (+4-6pp líquidos). Greca traz eleitorado próprio (~19,7% de base) e estrutura MDB (~30 prefeitos, ~200 vereadores), mas com sobreposição — parte do eleitorado de Greca já migra naturalmente para Guto com o apoio de Ratinho. Resultado: o cenário realista sobe de 44-50% (Cenário 2) para 48-54% — a maior coalizão possível no estado.
Comparativo direto — o peso da Federação União Progressista:
| Cenário 1 (SEM Federação) | Cenário 2 (COM Federação) | Cenário 3 (COM Federação + Greca vice) | |
|---|---|---|---|
| Realista | 43-48% — disputa 2ºT | 44-50% — 2ºT favorito | 48-54% — vence 1ºT / 2ºT favorito |
| Moro (bruta) | 48-55% — favorito | 46-52% — competitivo | 46-52% — competitivo |
| Swing da Federação | — | +7-10pp | +7-10pp |
Sem ela, Moro é favorito. Com ela, o campo governista é favorito. O PSD precisa da Federação União Progressista para vencer.
O poder de barganha da Federação
| Configuração | Swing na eleição | Poder de barganha PP |
|---|---|---|
| Federação PP+UB coligada com PSD (+MDB) | 7-10 pp | ALTO (2-3 secretarias + articulação) |
| Federação neutra (sem apoio formal) | 0 pp | NENHUM — PP fica fora do governo |
A Federação homologada é o maior ativo do PP. Quem a direciona, direciona ~72 prefeitos, ~650-750 vereadores e a maior bancada combinada do estado. E o PP é o sócio majoritário da Federação no Paraná.
O PP não negocia cargos — negocia posicionamento estratégico. Mas o nível de demanda depende do que o PP entrega:
| Dimensão | O que significa | Viabilidade |
|---|---|---|
| Máquina municipal | Secretarias que alimentam convênios/obras (Infraestrutura, Agricultura, Desenvolvimento Urbano) | ✅ Alta — Federação traz ~72 prefeitos |
| Articulação política | Cadeira na Casa Civil ou secretaria de articulação | ✅ Alta — peso combinado justifica |
| Bancada protegida | Coligação formal para deputados federais e estaduais | ✅ Automático na coligação |
| Compromisso com Barros | Recursos na base Maringá/norte PR para reeleição | ✅ Alta — interesse mútuo |
⚡ Com a forte possibilidade de formação da chapa Guto (gov) + Greca (vice), PSD e MDB deixam de ser opções separadas e formam uma coalizão unificada. O poder do PP deixa de ser "tenho dois compradores" e passa a ser "a coalizão unificada não vence sem a Federação" — posição ainda mais forte.
A convenção do PP não deve homologar apoio imediato. Deve homologar uma posição institucional que maximize o poder de negociação nos próximos 10 dias.
A lógica central
Os números comprovam: mesmo com PSD+MDB unidos e Ratinho 100% dedicado, sem a Federação União Progressista a coalizão não vence no 1ºT e Moro é favorito (Cenário 1: realista 43-48% vs Moro 48-55%). Com a Federação, o cenário inverte (Cenário 3: realista 48-54% vs Moro 46-52%). O PP controla o swing de 7-10pp que define quem vence. Não precisa de dois compradores — precisa de um ativo insubstituível.
Os Movimentos
Convenção como Posicionamento (ter 24 a qua 25/03)
A convenção delibera: "O PP-PR apoiará o candidato ao governo que garantir ao partido as condições de continuar servindo seus prefeitos e vereadores no interior."
Isso não é neutralidade — é declaração de condições. Qualquer partido que critique está atacando prefeitos e vereadores. Ninguém quer esse desgaste.
Simultaneamente, a ameaça de candidatura própria (Cida Borghetti) permanece sobre a mesa como arma de pressão — não como decisão real.
Negociação como Peça Decisiva (qua 25 a sáb 28/03)
Ricardo Barros abre negociação direta com a coalizão PSD+MDB (Guto+Greca). O argumento é matemático e objetivo:
"Vocês se uniram. Ótimo. Mas sem a Federação União Progressista, Moro continua favorito. Com ela, vocês vencem. A Federação somos nós."
A assimetria de dependência favorece o PP: a coalizão PSD+MDB precisa da Federação para fechar a conta (swing de 7-10pp). A Federação prefere estar no governo, mas sua força existe independentemente — ~72 prefeitos e ~650-750 vereadores continuam operando com ou sem a coalizão. O PP não precisa que a coalizão seja fraca — precisa que ela seja incompleta sem ele.
Com Curi no Senado + Estratégia Recomendada + Federação
Por que a Estratégia Recomendada vence
| Equação | Como resolve |
|---|---|
| PP precisa de máquina municipal | Coalizão PSD+MDB precisa da Federação = PP crava condições antes do apoio |
| PP precisa de articulação | Federação com ~72 prefeitos é a peça que falta — justifica cadeira na mesa |
| PP precisa proteger bancada Barros | Aliança com coalizão = recursos na região Maringá/norte |
| PP precisa de poder de barganha | Sem a Federação, coalizão fica em 43-48% e Moro é favorito. A matemática é a alavanca |
| PP precisa crescer | No governo = atrai filiações e prefeitos |
A coalizão que se desenha
Há forte possibilidade de PSD e MDB formarem chapa conjunta — Guto governador + Greca vice. Ratinho, no 2º mandato e 100% dedicado à sucessão, apoia candidato próprio (Guto) como prioridade. Greca com 19,7% sabe que não vence sozinho contra Moro (40-47%) — como vice de Guto+Ratinho, entra no lado favorito. A coalizão unificada se torna a única configuração que realmente compete com Moro:
| Componente | Prefeitos | Vereadores |
|---|---|---|
| PSD | 164 | 804 |
| MDB | 30 | ~200 |
| Federação PP+UB | ~72* | ~650-750 |
| TOTAL COALIZÃO | ~266 | ~1.650-1.750 |
| vs. Moro (PL + aliados**) | 52 (+Novo e outros) | — |
| Vantagem | ~5x mais prefeitos | — |
*PP ~43 (dado out/2025) + UB 29 (AMP) = ~72. **Moro pode ter aliados além do PL (Novo, parte de dissidentes).
Projeção com chapa PSD+MDB + Federação
Cenário Máximo: Guto Gov + Greca Vice (MDB) + Federação + Ratinho 100% Dedicado
| Métrica | Projeção |
|---|---|
| Base Guto + Greca vice + Ratinho 100% + Federação | ~48-64% |
| vs. Moro — pesquisa bruta | ~46-52% |
| vs. Moro — Método Cube | ~25,5-33,5% |
| Turno | Resultado |
|---|---|
| 1º Turno | ✅ Governista favorito (Cube: 65-70% de probabilidade) |
| 2º Turno | ✅ Governista favorito com convergência anti-Moro (+votos Requião) |
Implicação para o PP: Se a chapa Guto+Greca se concretizar, o PP (via Federação) entra na maior coalizão do estado. Se não se concretizar, o PP apoia Guto direto — que mesmo assim é competitivo com os votos herdados de Curi.
A margem de erro real das pesquisas eleitorais é 1,5x a 2x maior que a declarada (CEBRAP: 7,2pp efetivos vs 2-3pp declarados). A Cube aplica 4 fatores de ajuste — regressão à média, viés de instituto, transferência de votos e teto de rejeição — calibrados com dados acadêmicos e 7 casos históricos semelhantes.
Metodologia Cube — Framework de Calibragem
O framework Cube ajusta as pesquisas brutas considerando vieses estatísticos documentados na literatura acadêmica para projetar cenários mais realistas.
Regressão à Média
Tendência de convergência
Líderes nas pesquisas tendem a perder entre 5-12 pontos percentuais até o dia da eleição, enquanto candidatos em segundo lugar geralmente sobem.
Fonte: CESOP/Unicamp (2022) - Análise de 50+ eleições brasileiras entre 2010-2022
Viés de Instituto
Sistemática metodológica
Cada instituto possui vieses sistemáticos de 2-4pp dependendo da metodologia (telefone vs presencial), perfil de respondentes e ponderação aplicada.
Fonte: Shirani-Mehr et al. (2018) - "Disentangling Bias and Variance in Election Polls"
Transferência de Votos
Efeito incumbência
Com 85% de aprovação e 78% desejando continuidade, Ratinho Jr (PSD) transfere entre 12-18pp para candidato apoiado. Histórico PR: Requião transferiu 14pp (2010).
Fonte: Borba & Ribeiro (2020) - "Capital político e transferência de votos no Brasil"
Teto de Rejeição
Limite estrutural
Candidatos com rejeição acima de 35% raramente expandem sua base eleitoral. Alta rejeição cria barreira para crescimento nas faixas de indecisos.
Fonte: Carreirão (2007) - "Rejeição e eleição: o voto negativo no Brasil"
Números calibrados vs. pesquisa bruta
| Candidato | Pesquisa bruta (mar/2026) | Cube calibrada | Ajuste principal |
|---|---|---|---|
| Moro | 40-47% | 25,5-33,5% | Regressão à média (-8 a -12pp): líderes perdem pontos até outubro. Mediana empírica de 7 casos = -12,7pp |
| Guto + coalizão | 4,3-14% (base) | 36,5-46,5% | Ratinho 100% dedicado (+20-25pp) + Federação (+5-7pp) + convergência (+3-5pp) |
| Guto gov + Greca vice + coalizão | 4,3-14% (base) | 48-54% | Cenário mais forte — mesmos fatores + Greca vice (+4-6pp) + estrutura MDB |
| Requião Filho | ~20% | 17-18% | Teto de rejeição (33,7%) limita crescimento |
O dado-chave: Ratinho 100% dedicado
Com a decisão de não disputar a Presidência (22/03), Ratinho atende agora 3 de 5 fatores de sucesso na transferência de votos (antes atendia 2). Dado real medido: +18,3pp para Guto (Paraná Pesquisas, jul/2025). Com dedicação exclusiva + capital político preservado, Cube projeta +20 a +25pp.
Benchmarks que sustentam a projeção — ambos os casos envolvem governadores no 2º mandato, sem possibilidade de reeleição, que não disputaram nenhum outro cargo e dedicaram 100% do capital político à sucessão estadual:
- • Rui Costa (BA, 80% aprov.): No 2º mandato, abriu mão de qualquer ambição federal e concentrou toda a estrutura do governo na campanha de Jerônimo. Resultado: transferiu +43pp — Jerônimo saiu de 6% para 49,5% em 5 meses.
- • Azambuja (MS, 74% aprov.): Também no 2º mandato, canalizou a máquina estadual integralmente para Riedel, que era pouco conhecido. Resultado: transferiu +47pp no 2ºT.
O padrão é claro: governadores populares que não concorrem e focam 100% na sucessão entregam transferências na faixa de 40-50pp. Ratinho Jr. agora replica esse cenário — 2º mandato, decidiu não disputar a Presidência, 84% de aprovação, dedicação exclusiva ao Paraná.
Cenários Cube vs. Resumo
Cenário 1 — Guto + Ratinho + Federação (1º Turno)
| Candidato | Resumo | Cube | Resultado provável |
|---|---|---|---|
| Guto coalizão | 39-53% | 36,5-46,5% | ✅ Competitivo |
| Moro | 46-52% | 25,5-33,5% | ⬇️ Regressão à média |
RESUMO: Moro favorito (Moro +7 a -1pp) → Cube: Governista favorito (Guto +3 a +21pp)
Por que a inversão? O Resumo trata 40-47% como piso de Moro e adiciona crescimento. A Cube trata como teto inflado (5,9% espontâneo vs 43,5% estimulado = 37,6pp de inflação por reconhecimento de nome) e aplica desconto empiricamente validado.
Evidência empírica: o caso ACM Neto (Bahia 2022)
O paralelo mais forte com Moro. ACM Neto tinha 56% em agosto/2022 e terminou com 40,8% no 1ºT — queda de 15,2pp. Jerônimo (candidato de Rui Costa, 80% aprovação) subiu de 6% para 49,5% em 5 meses. Moro enfrenta cenário mais adverso: Ratinho tem 84% (vs 80% de Rui Costa) e 347+ prefeitos governistas (vs 260+ na BA).
Em nenhuma eleição brasileira recente um líder com 40%+ venceu enfrentando governador com 80%+ de aprovação dedicado à sucessão.
Probabilidades Cube
| Cenário | Prob. vitória governista | Prob. vitória Moro |
|---|---|---|
| Guto + Ratinho + Federação | 55-60% | 35-40% |
| Guto gov + Greca vice + Ratinho + Federação | 65-70% | 25-30% |
O que muda para o PP: A Cube não muda a estratégia — muda o grau de urgência. O PP negocia com o lado favorito (55-65% de probabilidade), não com o lado perdedor. Isso aumenta o poder de barganha, mas só se o PP se posicionar antes que outros partidos ocupem o espaço.
- Moro se filiou ao PL — confirmado
- NÃO reagir publicamente — observar reação do campo
- Comunicar internamente: "Moro no PL nos fortalece — Guto precisa de nós mais do que antes"
- ⚡ Ratinho declarou que não disputará a Presidência (comunicado 22-23/03) — 100% na sucessão
- Kassab NÃO anunciará Ratinho (plano cancelado). PSD busca Leite (RS) ou Caiado (GO)
- JANELA: emitir posição pública do PP — "Apoiaremos quem garantir máquina municipal + articulação para o interior"
- ARGUMENTO Cube: "Sem a Federação, a coalizão não vence. Com ela, governista favorito (55-65%)"
- Mapear formação da chapa Guto (gov) + Greca (vice) — PSD+MDB caminhando para coalizão
- Abrir negociação direta com coalizão PSD+MDB como peça decisiva
- TSE homologa Federação União Progressista
- PP articula internamente com UB-PR para alinhar apoio à chapa governista
- Com Moro fora do UB, resistência interna é menor — janela de acordo
- Negociação formal de condições com coalizão PSD+MDB (por escrito)
- Argumento central: "Sem a Federação, Moro é favorito. A conta só fecha com os 72 prefeitos"
- Definir: máquina municipal + articulação política
- Prazo para coalizão responder
- Formalização de acordos
- PP entra como "coordenador do interior"
- QUI 03/04: PRAZO FINAL troca partidária — tabuleiro congela
- PP precisa estar posicionado ANTES do prazo
✅ Se PP entra no governo (via Federação + aliança PSD)
| Ano | Projeção |
|---|---|
| 2026 | PP como articulador indispensável → secretarias + articulação |
| 2028 | PP cresce de 43 para 70-85 prefeitos (recupera debandados + novos) |
| 2030 | PP como kingmaker permanente → pode lançar candidato próprio. Federação consolidada = maior força partidária do Sul |
❌ Se PP fica fora
| Ano | Projeção |
|---|---|
| 2026 | PP sem palanque → bancada encolhe, Barros ameaçado |
| 2028 | PP cai de 43 para 25-30 prefeitos (debandada acelera) |
| 2030 | PP irrelevante no Paraná — ciclo virtuoso vira ciclo de declínio |
| Métrica | PP no governo | PP fora |
|---|---|---|
| Prefeitos 2028 | 70-85 | 25-30 |
| Deputados Federais 2026 | 5-6 | 3 |
| Deputados Estaduais 2026 | 7-8 | 4-5 |
| Vereadores 2028 | 550-650 | 280-350 |
São 40-55 prefeitos e 2-3 deputados em jogo. Essa é a aposta dos próximos 10 dias.
Se o PP adotar a Alavanca Tripla:
| Ator | Reação provável | Resposta do PP |
|---|---|---|
| Coalizão PSD+MDB (Guto+Greca) | Aceita condições — a coalizão sabe que sem a Federação Moro é favorito (48-55%). Kassab é pragmático, Greca como vice tem interesse na coalizão mais ampla possível | Cravar condições por escrito antes de formalizar. Argumento: "Sem a Federação, a conta não fecha" |
| Moro/PL | Indiferença no 1º turno; pode precisar no 2º | Manter canal educadamente aberto |
| Mídia | "PP faz jogo duro" ou "PP indeciso" | Maria Victoria responde: "Estamos defendendo nossos municípios" |
| Base interna PP | Prefeitos querem segurança, não jogo estratégico | Comunicação: "A negociação dos próximos dias garante 4 anos de governo" |
PP mantém posição e deixa a matemática falar. Sem Federação ficam em 43-48%, insuficiente. Quanto mais a coalizão demora, mais perto do prazo — e mais urgente fica incluir o PP
Sem Moro no UB, resistência é menor. PP lidera deliberação interna como sócio majoritário
PP é sócio majoritário — conduz deliberação com pragmatismo
Barros em contato direto com lideranças regionais toda a semana
Justifica URGÊNCIA de fechar com PSD nos termos do PP
Condições por escrito + PP na articulação = mecanismo de enforcement
O PP cresceu 190% em 4 anos. Perdeu 18 prefeitos na turbulência da Federação, mas mantém ~43 e participa da maior bancada combinada do estado. A homologação da Federação em 26/03 é o evento que pode triplicar o poder de barganha do partido — ou paralisar sua atuação, se mal administrado.
A decisão de Ratinho de não disputar a Presidência (22/03) muda o tabuleiro a favor do campo governista. A calibragem Cube, sustentada por 7 casos históricos e literatura acadêmica, projeta 55-70% de probabilidade de vitória governista — o PP negocia com o lado favorito, não com o perdedor.
A decisão dos próximos 10 dias não é sobre quem apoiar. É sobre como o PP quer ser visto na próxima década: como partido que faz o interior funcionar e define quem governa — ou como partido que teve ativos e não soube usá-los.
A Alavanca Tripla — posicionamento, negociação como peça decisiva, formalização com condições — é a estratégia que maximiza retorno. Com PSD e MDB caminhando para a chapa Guto+Greca, o PP não precisa de dois compradores para ter poder de barganha — precisa de um ativo insubstituível. E a Federação com ~72 prefeitos e ~650-750 vereadores é exatamente isso. Sem ela, a coalizão não vence. Com ela, o campo governista é favorito.
A frase para a mesa
"O PP vai coordenar o interior. Nossos prefeitos, nossa capilaridade, nosso trabalho de base. Em troca, precisamos da máquina municipal e de uma cadeira na articulação. Quem coordena o interior precisa ter voz. Isso não é pedir favor — é a lógica que faz o governo funcionar."
A frase para o partido
"O PP não precisa de um candidato. Precisa de uma mesa de negociação onde seja o único convidado que todos precisam — e saber que, nessa mesa, o silêncio dos próximos dias vale mais que o apoio apressado de qualquer outro partido."